El Niño no Norte: a seca da Amazônia, os rios e o que muda na La Niña
Atualizado em 14 de junho de 2026 · 10 min de leitura · Fonte: INMET
Na Amazônia, o rio é a estrada, a despensa e a fonte de água. Por isso, quando o El Niño resseca a região e os rios baixam, a vida inteira do Norte trava. Foi o que o Brasil viu na seca histórica de 2023 — e é o oposto do que a La Niña provoca. Entenda, com os números e as fontes oficiais.
No trimestre de março a maio de 2026, o índice oficial ONI está em +0,48 °C e subindo. O El Niño é declarado a partir de +0,5 °C e a La Niña a partir de −0,5 °C.
Na semana de 10 de junho, o oceano já está em condição de El Niño — o Niño 3.4 marcou +1,50 °C, acima do limiar de +0,5 °C. Como o índice oficial é uma média de três meses, ele tende a confirmar o El Niño nas próximas atualizações.
Fonte: NOAA · Climate Prediction Center. Índice ONI atualizado mensalmente; Niño 3.4, semanalmente.
Por que o rio é o termômetro do Norte
No Norte, o efeito do El Niño e da La Niña se lê na régua do rio. O El Niño inibe a chuva, principalmente na Amazônia oriental, e os rios despencam; a La Niña traz chuva em excesso, e eles transbordam. Entre um extremo e outro, o nível das águas é o sinal mais visível do ENOS no Brasil.
Não é um detalhe técnico: nas comunidades ribeirinhas, o rio baixo significa barcos encalhados, isolamento, falta de água potável e de alimentos. O rio cheio, por outro lado, significa alagamentos. Os dois extremos cobram caro.
O Norte no mapa do El Niño
No mapa nacional, o Norte é território de seca no El Niño — junto com o Nordeste, é onde o fenômeno reduz as chuvas. É o oposto do Sul, que se enche de água ao mesmo tempo. Por isso o impacto do El Niño só faz sentido olhando para a sua região.
El Niño: seca, rios baixos e queimadas
A seca de 2023 entrou para a história da Amazônia. Em 26 de agosto daquele ano, o rio Negro marcou 12,70 m em Manaus — o menor nível desde o início das medições, em 1902. O governo do Amazonas decretou emergência nos 62 municípios do estado, e cenas de barcos encalhados e comunidades isoladas correram o mundo.
Pesquisadores do INPE apontaram que a causa não foi só o El Niño, mas a combinação dele com o aquecimento anormal das águas do Atlântico Norte — um agravante que também resseca o oeste da região, em estados como Acre e Rondônia. Com a floresta seca, dispara também o risco de queimadas, e a fumaça vira um problema de saúde pública em capitais como Manaus, Porto Velho e Rio Branco.
La Niña: chuva, cheias e o problema oposto
Na La Niña, o Norte recebe chuvas acima da média e os rios se enchem além do normal. O alívio da seca vem com o problema oposto: cheias mais intensas, alagamentos nas margens e nas cidades ribeirinhas, e prejuízos para quem vive à beira d'água.
É o retrato do Norte sob o ENOS: a região quase nunca fica no meio-termo. Ou falta água, ou sobra — e a diferença entre os dois cenários está, em boa parte, na temperatura do Pacífico.
O que esperar e como se preparar
A regra prática para o Norte: em ano de El Niño, espere estiagem mais severa no segundo semestre, rios baixos e maior risco de queimadas — atenção redobrada com água, transporte fluvial e qualidade do ar. Em ano de La Niña, prepare-se para cheias mais fortes. A intensidade do fenômeno amplifica os dois lados.
Para o dia a dia, a referência é a previsão da sua cidade. No Nimbo Sky, ela combina os dados do INMET e do MET Norway e se atualiza várias vezes por hora — o que realmente importa para planejar a semana.