El Niño no Centro-Oeste: calor, veranicos e a safra do Cerrado
Atualizado em 14 de junho de 2026 · 9 min de leitura · Fonte: INMET
O Centro-Oeste é o celeiro do Brasil, e o ENOS tem voz no resultado da safra. O El Niño costuma chegar de forma discreta na chuva, mas com calor e veranicos que mexem com o plantio de soja e milho no Cerrado. Veja o que esperar, com exemplos e fontes oficiais.
No trimestre de março a maio de 2026, o índice oficial ONI está em +0,48 °C e subindo. O El Niño é declarado a partir de +0,5 °C e a La Niña a partir de −0,5 °C.
Na semana de 10 de junho, o oceano já está em condição de El Niño — o Niño 3.4 marcou +1,50 °C, acima do limiar de +0,5 °C. Como o índice oficial é uma média de três meses, ele tende a confirmar o El Niño nas próximas atualizações.
Fonte: NOAA · Climate Prediction Center. Índice ONI atualizado mensalmente; Niño 3.4, semanalmente.
Por que o Centro-Oeste sente o calor
No Centro-Oeste (GO, MT, MS e o DF), o El Niño fica numa zona de transição: o sinal na chuva é fraco e irregular. O efeito mais consistente, segundo o INPE, é o calor — invernos mais quentes que o normal, que podem atrasar o início da estação chuvosa do Cerrado.
E quando a chuva atrasa ou se distribui mal, aparecem os veranicos: períodos secos no meio da estação que deveria ser chuvosa. Para uma região movida pela agricultura, isso é mais do que um detalhe — é risco direto para a safra.
O Centro-Oeste no mapa do El Niño
No mapa nacional, o Centro-Oeste fica no miolo do país, onde o sinal de chuva do El Niño é fraco — mas a marca do calor está presente. Como no Sudeste, "sinal fraco" não quer dizer impacto pequeno: aqui ele aparece no termômetro e na lavoura.
O risco para a safra do Cerrado
A redução e a má distribuição das chuvas na primavera e no início do verão atrapalham o plantio e o desenvolvimento inicial de soja e milho, e elevam o risco em sistemas de sequeiro. O Centro-Oeste, líder nacional de grãos, é particularmente exposto a esse tipo de risco.
O preço já apareceu na conta. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que o clima adverso de 2023 ajudou a derrubar a safra de verão do país em cerca de 25,7 milhões de toneladas — um lembrete de que, mesmo onde o El Niño tem "sinal fraco", o impacto econômico pode ser grande.
La Niña no Centro-Oeste: sinal fraco
Na La Niña, o Centro-Oeste também sente pouco o fenômeno de forma direta. O clima tende a seguir o padrão típico do Cerrado — chuvas no verão e seca no inverno —, sem o desvio acentuado que se vê no Sul ou no Norte. Por isso, aqui, acompanhar a previsão local e a evolução da estação chuvosa importa mais do que o rótulo do ENOS.
O que esperar e como se preparar
A regra prática para o Centro-Oeste: em ano de El Niño, fique atento ao calor e a um possível atraso da estação chuvosa, com risco de veranicos — fatores que pedem cautela no planejamento agrícola. Em ano de La Niña, o padrão costuma seguir o normal da região. A intensidade do fenômeno, como sempre, pesa.
Para o dia a dia, a referência é a previsão da sua cidade. No Nimbo Sky, ela combina os dados do INMET e do MET Norway e se atualiza várias vezes por hora.